quarta-feira, 1 de julho de 2009

Michael Jackson em Brasília


Meados dos anos 70, tínhamos eu e o Kleber Ribeiro ,saído do Diário de Brasília e fundado O Correio do Planalto, a cores, que circulava vespertino mesmo, furando o Jornal Nacional em assuntos de Brasília.

Pois bem, fui fazer uma visita ao Ruy Pereira , Diretor da Fundação Cultural do Distrito Federal , para tratar da Agenda Cultural mensal , e encontro com um ex-colega de escola CNF/FGV em Nova Friburgo , George Ellis. Ele estava empresariando o Jackson Five em sua primeira tournée pelo Brasil, e precisava de um parceiro para a mídia promocional em Brasília. Como tínhamos o veículo, fechamos a parceria comercial, com a benção do GDF. Uma grande ação de marketing.

Marcamos a data para uma única apresentação num sábado, 15 horas no Ginásio de Esportes , Nilson Nelson, ao lado do Autódromo, que tinha acabado de ser palco de um evento da Fórmula 1, com Fittipaldi , Pace, e todos os outros astros da época.

Campanha promocional nas ruas, troca de cupons publicados, nas edições por ingressos, um sucesso de vendas nos postos conveniados, recorde de público em Brasília.

O Jackson Five se exibe no Rio de Janeiro e em seguida Brasília.

Chegam os astros com uma equipe de fazer inveja à qualquer chefe de Estado de grande potencia estrangeira.

Hospedagem em dois andares do Eron Brasília Hotel. Seguranças pra todo lado, Polícia Militar, cordões de isolamento fãs nas ruas em delírio em busca de uma visão do ídolo Michael Jackson, o menor dos Jacksons, a grande estrela do show.

Madrugada no dia do show, veio a notícia através do George Ellis: “ A carreta que vem trazendo os equipamentos de luz e som quebrou na estrada antes de Paracatú em Minas Gerais”...

E o pior, o “Jackson Five tem compromisso no Chile, o show vai ser cancelado”... Coisa de louco! Milhares de ingressos vendidos, o prestígio do patrocinador, do Governo do Distrito Federal, e o respeito pela platéia enlouquecida.

Vou para a redação do O Correio do Planalto, onde estava meu sócio o Kleber Ribeiro, preparando na madrugada o material para a edição especial no dia do show.

Disse: Kleber, a casa vai cair, o empresário quer cancelar o show pois o Jackson Five tem compromisso no Chile e embarca amanhã pela manhã. Vamos ter que segurar os meninos em Brasília, senão será um desastre.

O Kleber pegou o Paletó e falou: “ pé na tábua Badra, vamos lá para o Eron” . Entramos, chegamos na suíte do George Ellis e do seu sócio francês, o Kleber foi metendo o pé na porta e foi um rolo só.Veio  segurança , polícia , um bafafá.

Fomos para o escritório do Eron, e de lá ligamos para o então Secretário de Segurança Pública, o Cel. Aimeé Lamaison. Relatamos o ocorrido e a ameaça do cancelamento definitivo  e a viagem do grupo para o Chile. O coronel Lamaison foi decidido: “ O governador já está sabendo que existe a possibilidade do cancelamento. Tenho carta branca. Vou falar com as autoridades portuárias, de Brasília eles não saem, sem fazer o show”...

E não saíram! Na hora do espetáculo, Ginásio lotado, público inquieto, uma equipe da Secretaria de Segurança e do GDF, em carros especiais, levaram o Michael Jackson para o Palco, e ele pediu desculpas ao público, anunciando que o show seria feito no dia seguinte, em face do acidente com a carreta que transportava os equipamentos. E em capela, cantou uma estrofe de “Ben”...

O Ginásio quase veio abaixo, Michael, garoto, já sabia o que fazer para cativar o público, era uma grande estrela.

Dia seguinte, equipamento instalado, pois conseguimos uma carreta para o transbordo na estrada ainda na madrugada anterior, o show foi um dos melhores de toda a tournée do grupo , Michael Jackson fez questão de voltar ao palco três vezes atendendo aos pedidos de bis.

Salvamo-nos todos!!! Quanto aos chilenos,  não sei, só sei que ganhamos o Bi , lá na Copa de 62...

 


Um comentário:

  1. Eu estive lá, e embora tenha tido enorme dificuldade para vê-lo, foi fantástico. Acompanei a sua escalada e me entristeci com a sua transformação ao longo dos anos, mas a alma dele como artista permaneceu íntegra.

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